Banho frio em uma viagem de volta ao mundo

Rachel Spencer conta que realmente não gosta de banho frio. Não gosta nem do frio, mas, para ela, o banho frio é pior do que frio. Ao todo, foram 51 dias de banhos gelados ao longo da viagem de volta ao mundo de carro.

Na América do Sul foram poucas as vezes que Rachel precisou tomar banho frio. Uma delas foi quando estava em Pucón, sul do Chile. Era inverno, fazia frio e ela e Leo, seu marido, estavam cheios de roupas. O banheiro do camping era aberto, então o ato de tirar a roupa e entrar e sair do banho já era um sofrimento.

No desespero Rachel conta que começou a chorar… “O Leo tentou me enrolar na toalha que ele já estava segurando para quando eu acabasse, mas eu simplesmente não sabia o que fazer, se encarava a água fria e tirava o sabão do corpo ou se me secava daquele jeito. Nesse momento chorei de desespero. Fechamos e ligamos o chuveiro várias vezes.

Por sorte a água voltou a ficar “quente” e terminei o banho em poucos segundos”, explica a situação.

Como geralmente era só Rachel e Leo nos campings, eles sempre iam juntos para ajudar um ao outro. Naquele dia o Leo foi (ele sempre ia primeiro para ver se a água era quente e tal) e depois a Rachel.

“Na minha vez, enquanto eu já estava ensaboada, a água ficou fria enquanto fazia -10ºC fora do chuveiro”, conta.

Até no melhor hotel da cidade não tinha água quente

Na Colômbia, quando iam para Cartagena, escolheram o melhor hotel de uma pequena cidade. Chel conta que ouviu da recepcionista que nenhum lugar por ali tinha água quente. O Leo é desses que se está calor dá para tomar banho frio, mas para Rachel uma coisa não tem nada a ver com a outra. Se estiver com muito calor ela pode até optar por um banho, mas vai ser um banho quente.

De qualquer forma, nesse dia ele foi para o banho enquanto ela foi na recepção. Voltou e enquanto ela reclamava na porta do banheiro (que óbvio, não tinha chuveiro, só um cano de onde saia água), ele a puxou para debaixo d’água e em meio a risadas Rachel acabou tomando banho frio.

Foi assim na América Central toda e em boa parte do México. Devido ao calor, a água nem ficava tão fria, era quase morna. Por já saber que seria assim, ela conta que conseguiu levar isso numa boa. Até porque os campings geralmente são muito ruins e não dá para esperar muita coisa.

Banho frio na Europa

Já na Europa os campings são no geral bem melhores, mas eles também tiveram problemas para se adaptarem. A maioria tem energia solar e isso quer dizer que a água só fica quente durante o dia ou até quando acabar a água quente. “Essa é a PRIMEIRA coisa que eu perguntava quando chegávamos: “tem água quente?” Geralmente, a pessoa falava que tinha, mas não dizia que só tinha de manhã. Como nós chegávamos aos campings no final de tarde, tínhamos que tomar banho frio”, explica Rachel.

Rolaram alguns choros ao longo desse período. Principalmente quando ela estava naqueles dias. Até porque existe uma preparação para ir para o banho, que na maioria das vezes é separado do banheiro e depois que chega lá não dá para voltar atrás.

O pior banho de toda a viagem

“Nosso primeiro dia na Turquia tinha tudo para rolar um stress”, afirma Rachel. Eles dirigiram por mais de 500 quilômetros, ela estava no primeiro dia da menstruação, com cólicas, cansada e sem comer. Passaram por dois campings que não existiam mais, até optarem em ir para um que ficava fora da cidade. Era somente 30 quilômetros, mas com o transito caótico levaram 1h30 para chegar.

“Depois de negociarmos o preço, 17 euros com banho quente, fomos ver o banheiro e foi um horror! Eu e o Leo entramos cada um no seu banheiro (que era separado por uma parede baixa) e descobrimos que só um poderia abrir o chuveiro para conseguir o fio de água fria que saia daquilo que talvez um dia foi um chuveiro”, diz Rachel que afirma ter sido o pior banho da viagem. Nessa tabela, no Viajo Logo Existo, você confere os gastos, onde estão especificados todos dias de banho frio.

“A parte boa é que a viagem é tão boa que você esquece desses momentos logo que encontra um banho quentinho”, diz Rachel.

Por isso, ela acha importante escrever para lembrar que realmente não gosta de banho frio. Não gosta mais ainda quando dizem que tem banho quente e não tem.

“Já recebi mensagens de pessoas que jamais encarariam a viagem com banho frio”, diz. Realmente, é possível ter banho quente na maioria dos lugares, só precisa optar por gastar um pouco mais.

A Rachel fez uma volta ao mundo de carro de 2013 a 2016 passando por 78 países. Se quiser acompanhar mais da viagem, é só acessar o Viajo logo Existo.
2017-07-23T17:20:22+00:00